André Mendonça afasta diretor-geral da PF e coloca grandes investigações sob risco

André Mendonça afasta diretor-geral da PF e coloca grandes investigações sob risco

  • 8 de setembro de 2026
  • Pará
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A decisão do ministro André Mendonça de afastar preventivamente Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal representa uma intervenção de enorme gravidade na principal instituição investigativa do país.

Não se trata da substituição rotineira de um servidor, mas da retirada abrupta do chefe de uma corporação envolvida em operações contra organizações criminosas, fraudes previdenciárias e esquemas financeiros bilionários.

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Andrei Rodrigues comanda a PF desde 2023. Durante sua gestão, a instituição avançou sobre o crime organizado, investigou o esquema de descontos ilegais em benefícios do INSS e realizou a Operação Compliance Zero.

Em depoimento à CPI do Crime Organizado, Andrei afirmou que a investigação envolvendo o Banco Master apurava fraudes estimadas em aproximadamente R$ 12 bilhões. Foi a PF sob seu comando que prendeu Daniel Vorcaro no Aeroporto de Guarulhos, quando o empresário se preparava para embarcar em um avião particular com destino a Dubai.

O momento escolhido para o afastamento amplia a preocupação. A PGR acaba de firmar um acordo de colaboração premiada com João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag.

Trata-se da primeira delação relacionada diretamente às fraudes financeiras investigadas no caso Master. O acordo ainda depende de homologação e deverá ser analisado justamente por André Mendonça, relator dos inquéritos.

Mendonça sustenta que teria sido alvo de monitoramento ilegal e que relatórios produzidos pela inteligência da PF seriam tecnicamente impróprios. A suspeita merece apuração rigorosa, mas não parece razoável que o próprio ministro citado na controvérsia concentre as funções de interessado, julgador e responsável por afastar os dirigentes da instituição que produziu os documentos.

Conforme revelou a Folha de S.Paulo, os elementos apresentados não descrevem vigilância física, interceptação telefônica ou rastreamento da localização do ministro.

A atuação de Mendonça também entrou abertamente no processo eleitoral. A menos de um mês da votação, o ministro afastou o diretor-geral nomeado pelo presidente Lula e o diretor de Inteligência da PF. Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência e personagem das revelações envolvendo pedidos de recursos a Daniel Vorcaro, comemorou imediatamente a medida e passou a utilizá-la para atacar Lula e a Polícia Federal.

O afastamento não paralisa automaticamente todas as operações da PF, mas cria um risco concreto de descontinuidade. A retirada simultânea do diretor-geral e do diretor de Inteligência quebra linhas de comando, produz instabilidade e pode atrasar diligências sensíveis.

Ao recorrer ao STF, a AGU advertiu que a mudança abrupta ameaça comprometer as atividades da instituição. Uma Polícia Federal fragilizada interessa aos investigados, às organizações criminosas e aos grupos econômicos e políticos que temem o avanço das apurações.

Há ainda um perigo processual evidente. Uma intervenção dessa dimensão pode alimentar futuras alegações de interferência, contaminação das provas e nulidade dos inquéritos.

Em vez de proteger as investigações, Mendonça corre o risco de mergulhá-las numa disputa interminável sobre a validade dos atos praticados. Isso pode beneficiar Daniel Vorcaro e a extensa rede de pessoas que mantiveram relações políticas, comerciais ou institucionais com o Banco Master.

As apurações precisam avançar sem blindagens e alcançar todos os envolvidos, independentemente do cargo ocupado. Isso inclui autoridades com prerrogativa de foro e até integrantes do próprio STF, caso surjam provas concretas. Não se pode antecipar culpabilidades, mas também não se pode limitar previamente o alcance de uma investigação para proteger pessoas poderosas.

Diante do conflito instalado e da perda da aparência de independência, André Mendonça não reúne condições institucionais para continuar na relatoria dos casos Banco Master e INSS.

O caminho responsável é afastá-lo dos inquéritos e submeter suas decisões ao colegiado competente do Supremo. A democracia exige controle sobre a atividade policial, mas também exige limites para que esse controle não seja transformado em instrumento de interferência política.

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Redação Elo Norte
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