O caso Banco Master é apontado como possivelmente o maior escândalo financeiro da história do Brasil, com cifras que podem superar R$ 60 bilhões e ramificações envolvendo instituições financeiras, agentes políticos e recursos públicos.
Uma auditoria citada pela imprensa apontou operações de R$ 21,9 bilhões entre o Master e o BRB, banco controlado pelo Distrito Federal, sendo R$ 12,3 bilhões com indícios de irregularidades. Fundos previdenciários públicos também ficaram expostos: somente os do Rio de Janeiro e do Amapá aplicaram cerca de R$ 970 milhões e R$ 400 milhões, respectivamente, no Master.
É nesse contexto que ganha importância a relação do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.
Em maio, o The Intercept Brasil revelou áudios, mensagens e documentos segundo os quais Flávio Bolsonaro negociou diretamente com o banqueiro um financiamento previsto em aproximadamente US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, para Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro.
Escute o áudio que Flávio Bolsonaro mandou para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro:
Segundo a reportagem, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido efetivamente transferidos.
Por isso, vale a pena ouvir de novo o áudio que acompanha esta matéria.
Depois da revelação, em 19 de maio, Flávio Bolsonaro anunciou que havia pedido à produtora do filme uma prestação de contas sobre o uso e o destino dos recursos e estabeleceu prazo de 30 dias. Disse ainda que o procedimento deveria ocorrer “de forma transparente”.
O prazo acabou em junho. Mais de três meses depois, porém, o detalhamento prometido continua sem ser apresentado publicamente.
Questionado pela CNN em 20 de agosto, Flávio afirmou que a prestação de contas já havia sido feita e classificou o caso como “página virada”, mas não apresentou os valores recebidos, os gastos realizados nem o destino dos recursos
A própria CNN registra que a estratégia da campanha tem sido sustentar que a prestação existe, embora não tenha sido tornada pública.
Na mesma resposta, Flávio desviou a cobrança para o presidente Lula, afirmando que “quem tem que prestar contas é o Lula”, tentando fazer uma correlação entre Lula e a prestação de contas do filme, o que não faz o menor sentido.
Lula não tem o dever de prestar contas sobre um patrocínio milionário de Daniel Vorcaro para o filme de Jair Bolsonaro. Quem foi pego numa gravação mandando áudio para o whatsapp de Vorcaro foi o próprio senador Flávio Bolsonaro, e não o Lula, defende um apoiador do presidente nas redes sociais.
Foi Flávio Bolsonaro quem anunciou a prestação de contas do filme. Foi o próprio candidato quem estabeleceu o prazo de 30 dias. E foram diálogos envolvendo Flávio e Vorcaro que revelaram a negociação dos recursos para Dark Horse.
Portanto, cobrar explicações de Lula pode fazer parte da disputa política, mas não elimina a obrigação de esclarecer aquilo que o próprio senador prometeu tornar transparente.
E o assunto está longe de ser apenas uma disputa eleitoral.
O financiamento de Dark Horse continua sob investigação: a Polícia Federal foi autorizada pelo STF a apurar cerca de R$ 61 milhões atribuídos a Vorcaro, inclusive para verificar a origem dos recursos, seu destino e eventual contrapartida relacionada ao senador.
Em um escândalo financeiro dessa dimensão, envolvendo dezenas de bilhões de reais e recursos de instituições públicas, a pergunta permanece simples: onde está a prestação de contas completa que Flávio Bolsonaro prometeu apresentar?
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